
Técnico do Osasco critica CBV por banimento de Tifanny
O técnico do Osasco, Luizomar de Moura, manifestou surpresa e crítica à nova política da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) que impede a participação de atletas trans em competições oficiais. A decisão atingiu em cheio a oposta Tifanny Abreu, uma das principais jogadoras da equipe paulista.
Luizomar estava fora do Brasil, cumprindo compromissos com a seleção feminina cubana, quando a determinação foi anunciada. Em entrevista ao Sportv, o treinador disse que a notícia foi inesperada e lamentou não ter podido apoiar a atleta pessoalmente. “Eu estava fora, foi uma surpresa para todos. Principalmente, por não poder dar o ombro, dar um abraço na Tifanny, principalmente pela pessoa que ela é.”
O treinador também destacou a importância de Tifanny no time e pediu que o departamento jurídico do Osasco continue buscando uma solução. “Em 25 anos de Superliga, a gente já passou por muita coisa. Mas esse momento é complicado pela pessoa que é a Tifanny e por receber essa notícia no meio da temporada. Não é justo com a equipe e com a Tifanny”, completou.
Nova regra da CBV e a exclusão de Tifanny
No início de agosto, a CBV anunciou que adotará os critérios do COI para a participação feminina. Agora, as jogadoras precisam apresentar um teste genético negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento masculino, para atuar em torneios nacionais. A medida vale para a Superliga A e B a partir da temporada 2026/27, Supercopa 2026, Copa do Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 e CBVP Challenger 2027.
Apesar disso, Tifanny segue apta a jogar o Campeonato Paulista Feminino. Isso porque a competição estadual teve início antes do anúncio da CBV, em 13 de agosto, e a Federação Paulista de Volleyball (FPV) decidiu manter as normas anteriores. Assim, a oposta continua em quadra no comando do ataque do Osasco na disputa estadual.
Entenda o caso de Tifanny
Tifanny Abreu tem autorização da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) para competir desde 2017. No Brasil, ela estreou na Superliga pelo Bauru e, em 2021, chegou ao Osasco. Com a equipe, conquistou títulos importantes, como a Superliga 2024/25, a Copa do Brasil e o Paulista.
O cenário para as próximas temporadas ainda é indefinido. A FPV informou que as futuras mudanças no regulamento serão analisadas pelas áreas jurídica e de saúde, considerando a legislação aplicável e o respeito aos atletas. Enquanto isso, o caso de Tifanny escancara o debate sobre a inclusão de atletas trans no esporte e gera comoção entre torcedores e atletas.
— Lance do Jogo







