Sesc Flamengo e Osasco: 25 semifinais cada na hegemonia da Superliga

Sesc Flamengo e Osasco: 25 semifinais cada na hegemonia da Superliga

Sesc Flamengo e Osasco estabelecem nova hegemonia na Superliga; entenda

Sinônimos de sucesso, conquistas e rivalidade no vôlei feminino brasileiro, Sesc RJ Flamengo e Osasco/São Cristóvão Saúde estão disputando novamente a semifinal da Superliga Feminina. Com a presença entre as quatro melhores equipes da temporada 2025/26, os maiores campeões nacionais estabeleceram um novo marco na história da competição, que há quase 30 anos seguidos conta com pelo menos um dos representantes da dupla nessa fase.

Início da Superliga e surgimento dos projetos

O marco zero dessa sequência de semifinais leva diretamente aos primórdios da Superliga. Dois anos após o ouro inédito do vôlei masculino nos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992, a CBV criou um campeonato para substituir Liga Nacional. A decisão também foi impulsionada pelo processo de estabilização da economia do país com o Plano Real, que trouxe a equalização da moeda brasileira com o dólar e o fim da hiperinflação. Assim, os clubes e empresas passaram a ter condições de fazer planejamentos financeiros de longo prazo no esporte, o que proporcionou mais investimentos.

Os times com maior poder de aquisição estavam concentrados em São Paulo. Nas duas primeiras temporadas, o campeão foi o Leite Moça, de Sorocaba, contra o BCN/Guarujá, localizado no litoral paulista. Após os dois vices, o projeto se mudou para Osasco, município da Região Metropolitana de São Paulo, e alcançou a semifinal logo no ano de estreia na ‘casa nova’. O BCN/Osasco só foi parado pelo São Caetano, vice-campeão da edição de 1996/97.

Em 1997/98, surge o Rexona, projeto ambicioso liderado por Bernardinho, à época treinador da seleção brasileira feminina. Sediado em Curitiba, no Paraná, o estreante conquistou a Superliga ao desbancar na final o time de Sorocaba, que buscava o tetracampeonato. Já o BCN/Osasco não chegou à semifinal no ano de criação daquele que viria a se tornar seu maior rival.

Presença certa: 25 semifinais em 32 edições

Tanto Sesc Flamengo quanto Osasco possuem 25 participações em semifinais de Superliga cada. A primeira vez que chegaram juntos a essa fase foi na temporada 1999/2000, quando o time de Bernardinho foi campeão sobre o Minas, que havia eliminado a equipe paulista anteriormente.

O primeiro encontro em semifinais aconteceu em 2001/02, quando o Osasco eliminou o Rexona com duas vitórias – ambas no tie-break – na série melhor de três. A partir desta temporada, a dupla esteve presente em todas as fases antecedentes à final até 2017/18. Durante esse período, a rivalidade cresceu e as equipes passaram por mudanças.

Em 2003, o Paraná se tornou Rio de Janeiro e, por questões de patrocínio, seguiu disputando as competições sob diferentes nomes. A fusão com o Flamengo aconteceu apenas em 2020, quando já era o maior campeão da Superliga com 12 taças.

Osasco também passou por uma transição, essa já menos espontânea. Em abril de 2009, com a saída do Bradesco como patrocinador máster do time profissional e a decisão de investir apenas nas categorias de base, a equipe desistiu de disputar a Superliga. Meses depois, com a mobilização da Prefeitura, de empresários da região e do técnico Luizomar de Moura, foi fundado o Osasco Voleibol Clube, que assumiu o posto de representante da cidade na elite do vôlei brasileiro, herdando as glórias, parte do elenco remanescente e uma torcida ‘louca’, como é conhecida no meio.

Muito além das finais

Sesc Flamengo e Osasco já decidiram a Superliga em 11 oportunidades, com oito conquistas do lado carioca do clássico e três do lado paulista. Além disso, se enfrentaram quatro vezes em semifinais – três vitórias de Osasco e uma do Sesc Flamengo – e duas pelas quartas de final – uma classificação para cada um -, mostrando que a rivalidade vai muito além dos jogos que valem título.

A bicampeã olímpica Jaqueline Carvalho foi uma das jogadoras que tiveram o prazer de fazer parte da história desse clássico, vestindo as camisas de ambas as equipes. Campeã de quatro Superligas pelo Osasco e uma pelo Rio, a ponteira de 42 descreveu a sensação de experimentar dessa rivalidade no auge, além de relembrar a final de 2011/12, vencida pelo time paulista por 3 sets a 0 em pleno Maracanãzinho.

— Quando chegava nessa reta final, só se falava nisso. Era algo surreal. Foi o ápice da minha evolução, do meu crescimento, de onde eu cheguei. Trabalhei com técnicos maravilhosos, não só com os técnicos, mas com as jogadoras. Uma memória que eu tenho é de 2012, do clássico lá no Rio de Janeiro, no Maracanãzinho. Eu lembro que estava muito nervosa naquele jogo, tanto que era o último ponto e eu errei alguma coisa. Querendo ou não, o clássico sempre tinha muita tensão, né? A gente sabia que iria ser muito difícil, mas acabamos levando a melhor naquela edição. Lógico, a gente queria ter ganhado em casa, mas ganhar na casa deles também foi muito especial — declarou a atleta.

Divisão do protagonismo com novos rivais

Com a ascensão da dupla ‘pão de queijo’ – Minas e Praia Clube – nos últimos anos, Sesc Flamengo e Osasco ganharam concorrentes à altura na Superliga e passaram a dividir o protagonismo com as equipes de Minas Gerais.

A última final entre os rivais interestaduais aconteceu em 2016/17, quando o Rexona/Ades saiu vitorioso com o placar de 3 sets a 2 e conquistou seu 12º e último troféu do torneio nacional, na Jeunesse Arena (atual Farmasi Arena). Desde então, o mais longe que o time de Bernardinho chegou foi na final da temporada seguinte, quando foi superado pelo Praia Clube.

Já o Osasco voltou aos holofotes ao ganhar o sexto título de Superliga, em 2025. Na final, o conjunto treinado por Luizomar de Moura derrotou o Sesi Bauru por 3 sets a 1, no Ginásio do Ibirapuera.

— Lance do Jogo