Polêmica do LLM Rio Open 3.5: cópia disfarçada de modelos chineses

Polêmica do LLM Rio Open 3.5: cópia disfarçada de modelos chineses

O anúncio do modelo de inteligência artificial Rio Open 3.5, supostamente desenvolvido pela estatal carioca Ipan, gerou grande expectativa. No entanto, a revelação de que se tratava de uma combinação de dois modelos chineses sem os devidos créditos transformou o feito em um dos maiores fiascos tecnológicos do Brasil.

O anúncio e a euforia inicial

O prefeito do Rio de Janeiro celebrou nas redes sociais o que chamou de “sinal de soberania e evolução tecnológica”. O modelo, batizado de Rio Open 3.5, teria custado apenas R$ 500 mil e estaria entre os melhores do mundo em benchmarks — informação fornecida pelo próprio governo.

O anúncio ocorreu logo após o Web Summit Rio, evento global de inovação, amplificando o impacto. A promessa era de disponibilização gratuita do modelo, um suposto marco para a inteligência artificial no Brasil.

O desmentido chinês

Pouco depois, pesquisadores chineses expuseram a verdade: o Rio Open 3.5 era uma mistura de dois modelos de código aberto, com correlação superior a 99% com os originais. Na prática, tratava-se de uma cópia sem atribuição, um “Frankenstein” de IA.

Especialistas estimam que o custo real para esse tipo de “fine tuning” — calibragem de modelos prontos — seria inferior a R$ 25 mil, muito abaixo dos R$ 500 mil anunciados. Nenhum treinamento original foi realizado.

A reação da prefeitura

Após a repercussão, a prefeitura emitiu uma nota classificando o episódio como “mal-entendido”. Alegou que a versão anunciada era intermediária e que a divulgação foi precoce. A justificativa, porém, só veio após o desmentido chinês, reforçando a falta de transparência.

Lições para o Brasil na corrida da IA

O caso escancara a necessidade de ética e transparência no desenvolvimento de inteligência artificial. O Brasil precisa entrar nessa corrida, mas com seriedade, não com ilusionismo. Enquanto big techs gastam bilhões em pesquisa, tentar atalhos com modelos copiados só prejudica a credibilidade nacional.

O episódio do Rio Open 3.5 ficará marcado como um alerta: inovação verdadeira exige processo, crédito e honestidade intelectual.

— Lance do Jogo