
Niege Dias: a trajetória da lenda do tênis brasileiro
O legado de Niege Dias no tênis brasileiro
Muito antes do protagonismo de nomes como Bia Haddad e Luísa Stefani, o tênis brasileiro já contava com uma estrela de brilho intenso: a gaúcha Niege Dias. Alcançando a impressionante marca de 31ª melhor tenista do mundo aos 22 anos, Niege construiu uma carreira meteórica, consolidando-se como uma das maiores referências da modalidade ao lado da lendária Maria Esther Bueno.
Uma ascensão precoce e marcante
A trajetória de Niege começou cedo. Aos 13 anos, ela já se tornava a campeã mais jovem do campeonato brasileiro na categoria adulta, um feito que repetiria outras três vezes. Sua transição para o profissionalismo foi impulsionada por uma campanha histórica em torneios no Japão, que garantiu sua entrada nos grandes palcos do circuito mundial, como o US Open e Roland Garros.
Em 1987, a brasileira viveu um momento emblemático ao enfrentar a lenda Chris Evert. Mesmo diante de uma derrota, o episódio marcou sua percepção sobre o nível da elite mundial. Para Niege, sua aposentadoria aos 22 anos — no auge físico — foi um processo natural, ditado pela perda da motivação que a movia desde a infância.
Mudanças no circuito profissional
Ao comparar sua época com o cenário atual, Niege destaca a evolução estrutural do esporte. “Na minha época era duro. Viajávamos nove meses por ano e passávamos muito tempo sozinhos”, relembra. A tenista aponta que, diferentemente do suporte multidisciplinar que os atletas possuem hoje — com fisioterapeutas, médicos e equipes completas —, a rotina de antigamente exigia uma resiliência solitária. Além disso, a profissionalização trouxe melhorias práticas, como a disponibilidade de lavanderias nos complexos esportivos, algo que na década de 80 era uma dificuldade logística constante.
Vida após o circuito
Mesmo afastada das competições de elite, Niege nunca abandonou as quadras. Após uma bem-sucedida passagem como treinadora e capitã de equipes nacionais, ela dedica seu conhecimento ao Belém Novo Golf Club, em Porto Alegre, onde atua como pro head de tênis. Sua história segue sendo celebrada, como visto na recente homenagem recebida durante o São Paulo Open, reafirmando seu papel fundamental na construção da história do esporte nacional.
— Lance do Jogo





