
Maldini assume comando técnico das seleções da Itália
Paolo Maldini assumiu na última sexta-feira, 11, o comando técnico das seleções da Itália. O ex-zagueiro do Milan será diretor da Federação Italiana, com o brasileiro Leonardo como consultor, em uma tentativa de frear a crise histórica que deixa o país fora do Mundial de Seleções pela terceira vez consecutiva.
Mudança após fracasso em série
A nomeação de Maldini ocorre menos de três meses depois da saída de Gennaro Gattuso, em abril, após o fracasso nas eliminatórias. A seleção italiana masculina não consegue vaga nos Mundiais de 2018, 2022 e 2026, mesmo com a ampliação do torneio para 48 equipes neste ciclo. A sombra dessa sequência inédita paira sobre cada decisão atual em Coverciano.
O cargo de treinador da equipe principal está vago desde a saída de Gattuso, que em junho assume a Lazio. A dupla Maldini-Leonardo recebe a missão de escolher o novo técnico e redesenhar o caminho da seleção italiana de futebol, dos jogadores sub-15 aos profissionais.
O plano da federação para até 2030
O presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Giovanni Malagò, tenta dar um sinal de ruptura ao apostar em dois nomes com forte capital simbólico e currículo de gestão. Maldini assume a direção de todas as seleções nacionais, enquanto Leonardo atua como consultor em um projeto com duração prevista de quatro anos, até 2030.
“Maldini sempre foi meu objetivo. Achei que ele seria a pessoa certa para supervisionar o setor técnico da FIGC, que inclui não apenas a seleção principal, mas também toda a seleção de base”, afirma Malagò. Segundo o dirigente, as tratativas se estendem por duas semanas. “Ao longo de duas semanas, discutimos todos os projetos, entrando em detalhes, e Paolo imediatamente me disse que ficaria feliz em envolver Leonardo como consultor, porque o trabalho é extenso, exigente e desafiador. Estou satisfeito”, completa.
O presidente reforça o peso da chegada do brasileiro. “Tenho profundo respeito por Leonardo. São duas faces da mesma moeda; há um compromisso de quatro anos que deve nos levar de agora até 2030, à próxima Mundial de Seleções, passando pela Eurocopa”, diz.
Maldini e Leonardo, de San Siro à seleção
A escolha de Maldini carrega um componente quase inevitável na Itália. Ídolo máximo do Milan e referência da seleção italiana, ele convive com o rótulo de liderança natural desde os tempos de campo. Fora das quatro linhas, constrói nova reputação ao comandar o departamento de futebol do Milan entre 2018 e 2023.
Em Milão, Maldini defende uma estratégia combinando investimento em jovens e contratação seletiva de jogadores experientes. Deixa o clube em 2023, após choques com acionistas e parte do elenco. A visão de médio prazo, com ênfase na formação, se torna agora o eixo do projeto na FIGC, que tenta reorganizar as categorias de base e a transição para a seleção principal.
Leonardo leva para Coverciano uma biografia ainda mais internacional. Tetracampeão mundial com o Brasil em 1994, ele tem passagens como dirigente por Milan, Inter, Antalyaspor e Paris Saint-Germain. No PSG, onde trabalha entre 2019 e 2022, é protagonista em decisões de alto impacto, como a contratação de Messi e a renovação milionária de Mbappé. A experiência com elencos recheados de estrelas e orçamentos robustos alimenta a expectativa de uma gestão moderna, com leitura global de mercado.
Os dois já trabalham juntos no Milan em 2018 e 2019. A retomada da parceria sugere tentativa de unir o peso simbólico de Maldini na seleção italiana com a visão externa de Leonardo sobre o futebol europeu. A missão agora é menos glamourosa que negociar com craques em Paris: reconstruir uma seleção italiana de futebol masculina que se distancia do protagonismo desde meados da década passada.
O tamanho da crise e quem pode ganhar com a guinada
A ausência em três Mundiais seguidos derruba a confiança em todo o sistema italiano de formação e seleção de jogadores. A tetracampeã mundial entra em colapso competitivo mesmo com o aumento das vagas no torneio. As classificações da seleção italiana de futebol nas últimas campanhas mostram um padrão: falhas em jogos decisivos e dificuldade para renovar o elenco com a mesma qualidade de gerações anteriores.
A nova estrutura centraliza na dupla a definição de um modelo de jogo, critérios de convocação e conexões com clubes da Serie A e da Serie B. O foco declarado recai sobre as categorias de base, hoje fragmentadas entre projetos de clubes e escolas regionais. Jovens jogadores que orbitam a seleção italiana sub-17 e sub-21 tendem a ser os principais beneficiados, com um caminho mais claro até o time principal.
Setores presos a métodos tradicionais, tanto na federação quanto em alguns clubes, podem perder espaço. A presença de Leonardo, figura ligada a grandes operações de mercado, tende a alterar a relação com empresários, observadores e dirigentes que atuam no entorno da seleção italiana de futebol masculino. Clubes que investem de forma consistente em formação, por outro lado, podem ganhar influência e espaço nas convocações.
O impacto se estende ao calendário de jogos e às próprias eliminatórias. Com a vaga no Mundial de 2026 perdida, a seleção italiana passa a olhar para a próxima Eurocopa e para o ciclo até 2030 como uma única trajetória. A escolha do novo treinador precisa dialogar com esse horizonte, e não apenas com a pressão por resultados imediatos em amistosos e torneios intermediários.
Próximo técnico e pressão por resultados
Maldini e Leonardo assumem sabendo que a primeira avaliação virá da escolha do novo treinador da seleção italiana de futebol. A federação não divulga nomes, mas o perfil buscado passa por capacidade de trabalhar com jovens, aceitar um plano de longo prazo e suportar a cobrança de uma torcida que vê rivais históricos acumularem campanhas sólidas no Mundial e na Eurocopa.
A tarefa exige conciliar paciência estrutural com urgência de campo. A seleção italiana de futebol não pode se dar ao luxo de falhar de novo em uma classificação para o Mundial. O projeto até 2030 prevê justamente um fio de continuidade, com Maldini e Leonardo como guardiões de uma linha mestra que sobreviva a eventuais trocas de comando no banco.
O risco de insucesso permanece alto. A distância entre um plano ambicioso e vitórias em campo é grande, e o futebol italiano vive ambiente político sempre volátil. A diferença agora está na aposta em dois personagens que conhecem o peso da camisa azul, ainda que Leonardo o faça pela perspectiva de adversário histórico. A reconstrução começa com nomes fortes, mas será medida em pontos, classificações e, sobretudo, na volta ou não da Itália ao topo do Mundial.
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