
Knicks Encerram Jejum de 53 Anos com Título da NBA
Knicks Encerram Jejum de 53 Anos com Título da NBA
Quando o cronômetro zerou na noite deste sábado, garantindo ao New York Knicks seu primeiro título da NBA em 53 anos, o assistente técnico Rick Brunson caminhou em direção ao centro da quadra no Frost Bank Center. Ele abraçou seu filho, Jalen, o armador estrela que marcou 45 pontos na vitória dos Knicks por 94 a 90 sobre o San Antonio Spurs no Jogo 5, fora de casa, um triunfo com o qual os sofridos torcedores de Nova York sonharam durante décadas e que jamais esquecerão. Em seguida, Rick beijou Jalen na testa antes de o jogador enrolar uma toalha na cabeça.
“Fiquei emocionado a partir daquele momento”, disse Brunson, referindo-se ao abraço com o pai. “Depois me lembro do Josh Hart falando no meu ouvido, dizendo: ‘Conseguimos. Nós conseguimos’. Fiquei emocionado por uns cinco ou dez minutos e então a empolgação começou a tomar conta.”
Escolhido na segunda rodada do Draft de 2018, Brunson não era visto como alguém destinado a ser o melhor jogador de uma equipe campeã. Muitos sequer acreditavam que ele se tornaria titular na NBA. Agora, porém, ele é inquestionavelmente uma lenda dos Knicks e protagonizou uma das maiores atuações da história da liga.
Foi a maior pontuação já registrada por um jogador dos Knicks em uma partida das Finais da NBA e igualou Michael Jordan, em 1998, com o maior número de pontos em uma vitória que garantiu o título fora de casa. Brunson pode agora ser o jogador mais querido e mais condecorado dos Knicks desde Walt Frazier, armador das equipes campeãs de 1970 e 1973, as únicas outras ocasiões em que a franquia conquistou o título.
Antes de Brunson assinar como agente livre em 2022, os Knicks haviam chegado aos playoffs apenas seis vezes nos 22 anos anteriores e vencido somente uma série de pós-temporada. Mas, com Brunson liderando o grupo, além das contratações e trocas que trouxeram os demais titulares (Hart, Karl-Anthony Towns, Mikal Bridges e OG Anunoby), a equipe evoluiu gradualmente.
Os Knicks chegaram às semifinais da Conferência Leste em 2023 e 2024. Na temporada passada, avançaram às finais de conferência pela primeira vez desde 2000. Agora, tornaram-se apenas a terceira equipe da história da franquia a conquistar o título e serão reverenciados para sempre pelos torcedores. Os Knicks venceram 15 dos últimos 16 jogos dos playoffs. A única derrota foi no Jogo 3 das finais, quando perderam por 115 a 111 no Madison Square Garden.
Para Brunson, a conquista tem um significado ainda mais especial porque ele conhece a história de sofrimento dos Knicks desde antes de entrar no jardim de infância. Seu pai foi um reserva pouco utilizado nas equipes de Nova York que perderam as Finais de 1999 para o Spurs e as finais da Conferência Leste de 2000 para o Indiana Pacers. Brunson, nascido em agosto de 1996, guarda boas lembranças daquele período.
“Eu me lembro de correr pelo vestiário e pela quadra depois dos jogos”, contou Brunson em 2018, quando liderou Villanova ao título do torneio da Big East. “São essas pequenas coisas.”
Embora Rick Brunson tenha tido média de pouco mais de três pontos por jogo em nove temporadas na NBA, ele ajudou muito o filho, especialmente depois de encerrar a carreira como jogador em 2006, mesmo atuando como assistente técnico e passando boa parte da temporada viajando. Ainda assim, Rick fazia questão de não pressioná-lo demais.
“Muitas vezes, Rick dizia: ‘Não vou ser um desses pais. Não preciso que ele faça isso. Tem que partir dele. Tem que partir dele’”, contou Sandra Brunson, mãe de Jalen, em entrevista concedida em 2018. “Jalen sempre voltava. Sempre voltava. Ele era extremamente determinado.”
Depois de conquistar dois títulos do torneio da NCAA por Villanova e ser eleito o melhor jogador universitário do país em 2018, Brunson foi escolhido pelo Dallas Mavericks com a 33ª escolha do Draft. Ele evoluiu ao longo de quatro temporadas em Dallas, incluindo a campanha de 2021/22, quando teve médias de 16,3 pontos e 4,8 assistências por jogo. Naquele verão, porém, assinou com os Knicks, que também contrataram seu pai como assistente técnico e fizeram dele o principal nome da equipe, algo que os Mavericks jamais fariam.
Nas últimas três temporadas, Brunson teve média de pelo menos 26 pontos por jogo e integrou o segundo time ideal da NBA. Nos playoffs, foi ainda melhor, com média de 29,8 pontos e pelo menos 40 pontos em 10 dos 50 jogos de pós-temporada disputados pelos Knicks.
Mesmo assim, nada se compara ao que aconteceu no sábado à noite. Ao fim do primeiro quarto, os Knicks perdiam por 23 a 13, sua menor pontuação em um período nesta série. Em todos os jogos contra os Spurs, Nova York terminou o primeiro quarto perdendo por pelo menos 10 pontos. No total, os Knicks foram superados por 157 a 101 nos primeiros quartos das finais.
“Por algum motivo, parece que nossos jogos começam 30 minutos depois do horário marcado”, disse Brunson a Ernie Johnson no pódio após a partida. “Nós não aparecemos às 20h30. Aparecemos às 21h.”
No intervalo, Brunson tinha 16 pontos e aproveitamento de 50% nos arremessos, mas os Knicks perdiam por 42 a 37, enquanto os demais jogadores da equipe acertavam apenas 21,9% dos arremessos. Depois, a situação piorou ainda mais. O time entrou no último quarto perdendo por sete pontos, mesmo com Brunson marcando 14 apenas no terceiro período.
Brunson começou o quarto período no banco antes de retornar quando os Knicks perdiam por 81 a 71, restando 8min51s para o fim. Cerca de um minuto depois, sofreu falta do armador Stephon Castle em uma tentativa de três pontos, iniciando uma sequência em que marcou os 13 pontos seguintes da equipe.
Com 3min40s restantes, Brunson converteu três lances livres e colocou Nova York na frente por 86 a 85, a primeira liderança desde o placar de 5 a 4. Os Knicks não ficaram mais atrás.
Os últimos pontos de Brunson vieram em uma bandeja flutuante a 1min05s do fim, colocando os Knicks em vantagem por 90 a 88. A partir daí, Nova York converteu apenas quatro de oito lances livres, mas os Spurs desperdiçaram várias oportunidades de empatar ou assumir a liderança.
Brunson terminou com 45 pontos, convertendo 14 de 27 arremessos de quadra (51,9%), 4 de 7 bolas de três (57,1%) e 13 de 15 lances livres (86,7%). O restante dos Knicks somou 49 pontos, com 17 de 60 nos arremessos (28,3%), 8 de 30 nas bolas de três (26,7%) e 7 de 13 lances livres (53,8%).
No segundo tempo, Brunson marcou 29 pontos com 8 de 15 nos arremessos (53,3%), 1 de 3 nas bolas de três (33%) e 12 de 13 lances livres (92,3%), enquanto seus companheiros anotaram 27 pontos com 10 de 28 nos arremessos (35,7%), 4 de 15 nas bolas de três (26,7%) e 4 de 8 nos lances livres (50%).
“Conheço ele há muito tempo”, disse Bridges, companheiro de Brunson em Villanova. “Sei o quanto ele trabalha, a grande pessoa que é e o excelente jogador que é. Sou muito grato por estar novamente ao lado dele.”
“Ele é um talento ofensivo geracional. Uma atuação inacreditável. Ele merece todos os elogios que está recebendo”, disse o armador Landry Shamet.
Brunson, como costuma fazer, desviou boa parte dos elogios. Ele prefere falar do processo e dos companheiros. “As palavras não conseguem descrever isso”, afirmou. “Mas posso dizer que investi muito tempo e esforço para ser o melhor jogador possível e ajudar uma equipe a vencer. Sou muito grato à organização, à comissão técnica e aos meus companheiros por estarem ao meu lado todos os dias. Isso significa muito para mim.”
Durante toda a pós-temporada, o técnico Mike Brown se referiu a Brunson como um dos três principais candidatos ao prêmio de Jogador Mais Valioso da liga. Embora ele não tenha terminado entre os três primeiros na votação do MVP da temporada regular, conquistou o prêmio de MVP das Finais, uma honraria muito mais satisfatória.
“Todo mundo menciona o nome dele de passagem”, disse Brown. “Mas não fazem isso com a seriedade necessária. Dizem que ele é pequeno demais. Dizem que ele é um 1B ou um 2B, ou seja lá o que for. Ele é um legítimo 1A.”
Brown brincou que não teria aceitado uma redução salarial como Brunson fez no verão de 2024, quando assinou uma extensão contratual de quatro anos no valor de US$ 156,5 milhões, deixando de ganhar cerca de US$ 113 milhões que poderia ter recebido se tivesse esperado mais um ano.
“Ele definiu o padrão antes mesmo de entrar em quadra, toda vez que chegava o momento de renegociar um contrato”, afirmou Brown, contratado pelos Knicks no verão passado. “Isso estabeleceu o padrão. E quando você leva em consideração o desempenho dele, é algo fora da curva.”
Hart, que conhece Brunson desde os tempos de Villanova, não precisa ser convencido da importância do armador para os Knicks nem do lugar que ele ocupa entre os grandes nomes da NBA. E entende que parte do motivo de Brunson estar onde está hoje se deve à relação com seu pai, um jogador que passou por várias equipes e ajudou o filho a se transformar em uma lenda dos Knicks, ao lado dos maiores nomes que já vestiram a camisa de Nova York desde a fundação da franquia, há 80 anos.
“Cara, é muito legal ver isso”, disse Hart. “Eles trabalharam duro demais para chegar a este ponto, cada um à sua maneira. Quando você consegue viver isso ao lado do seu pai, ambos fazendo parte da mesma equipe, é algo que vão lembrar pelo resto da vida.”
— Lance do Jogo
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