
Jogador critica bets e revela vício: 'Valor no sofrimento'
Vício silencioso
O atacante Michel Henrique, 37 anos, hoje no Bagé, decidiu tornar pública sua luta contra a ludopatia. Em vídeo e entrevista, ele critica o excesso de propagandas de casas de apostas e afirma que a indústria “gera valor em cima do sofrimento”. O relato expõe os perigos do vício e reacende o debate sobre a publicidade das bets no futebol.
Michel conta que fez a primeira aposta em 2017, ainda em esportes. Quando a regulamentação de 2018 vetou atletas profissionais, migrou para cassinos online. “A partir de 2022 e 2023, eu já estava bem descontrolado. Totalmente viciado”, disse. Ele descreve as plataformas como projetadas para viciar, liberando “dopamina barata”. A OMS estima que 1,2% da população mundial sofre com o transtorno.
O lucro sobre o vício
Com a regulamentação, as bets viraram patrocinadoras do futebol. Brasileirão e Copa do Brasil têm nome de casa de apostas, que também patrocina o Flamengo. “Gera um bom valor para clubes e imprensa, mas em cima do sofrimento”, critica. Ele cita o bloqueio de beneficiários do Bolsa Família e alerta para adolescentes viciados.
Recuperação e alerta
Michel buscou ajuda por conta própria, lendo artigos e assistindo vídeos. Ele publicou um vídeo no fim de julho e já estava um mês sem recaídas; hoje são quase dois. O vício pouco afetou seu rendimento, mas mudou escolhas: saía de clubes por necessidade financeira e ficava longe da família. “Perdi pessoas, familiares. A conquista da confiança é mais difícil”, reflete.
Cenário das bets no Brasil
Em 2025, todos os 20 clubes da Série A tinham patrocínio de bets; 18 tinham na cota máster. Neste ano, são 13. Projetos de lei no Congresso propõem proibição de publicidade. Marcas já são vetadas na base. Athletic-PR, Bahia, Coritiba, Grêmio e Internacional romperam com bets e seguem sem patrocínio máster. Na Premier League, bets saíram dos uniformes a partir desta temporada. Espanha, Itália e Holanda têm restrições. Em Minas Gerais, o governador vai proibir propaganda em estádios e vias públicas.
Michel pretende manter voz ativa. “Enquanto há vida, há esperança. Peça ajuda, grite por socorro”, conclui.
— Lance do Jogo





