Japão mais europeu e menos baixinho na Copa de 2026

Japão mais europeu e menos baixinho na Copa de 2026

Média de altura sobe e dependência da liga local cai; seleção busca inéditas quartas de final

A seleção japonesa chega à Copa do Mundo de 2026 com o elenco de maior imposição física e bagagem internacional de sua história. Dos 26 convocados, apenas três atuam no futebol japonês, e a média de altura de 1,81m está longe de figurar entre as menores do torneio. A formação mais “europeia” e menos “baixinha” alimenta esperanças de que o Japão rompa a barreira das oitavas de final pela primeira vez.

Para ir mais longe, o Japão pode ter que passar pelo Brasil, já que o primeiro colocado de seu grupo enfrenta o segundo do grupo brasileiro. No único encontro em Copas, em 2006, o Brasil goleou por 4 a 1. No entanto, no último amistoso, em 2025, o Japão venceu por 3 a 2. “Acho que, mesmo se vencer a Copa algum dia, aquela vitória continuará sendo considerada o maior jogo da história do Japão”, afirma o jornalista Matheus Paes, especialista em futebol japonês.

A intensidade de jogo sob o técnico Hajime Moriyasu foi viabilizada por transformações esportivas e demográficas. Levantamento do GLOBO com dados da Fifa mostra que a média de altura japonesa subiu de 1,78m para 1,81m nas últimas Copas. Agora, o Japão tem elenco mais alto que seleções como Colômbia, Portugal e Uruguai. O estereótipo de fragilidade no jogo aéreo caiu por terra: no amistoso contra o Brasil, o gol da vitória foi de cabeça do atacante Ueda (1,82m).

Além disso, o número de jogadores que atuam na Europa saltou de quatro (2010) para 23 (2026). Um exemplo é o goleiro Zion Suzuki (1,90m), do Parma, filho de pai ganês e mãe japonesa — primeiro goleiro negro da seleção e o mais alto a atuar em Copas. Outros destaques como Kubo (Real Sociedad) e Kamada (Crystal Palace) brilham na Europa.

“A imigração foi importante para a maior média de altura, mas a imposição física também vem do fluxo de jogadores para a Europa. Ter um zagueiro como Hiroki Ito no Bayern de Munique eleva a capacidade física”, diz Paes. A maior internacionalização foi motivada por valores baixos de transferência: a maior venda da J-League foi do zagueiro Takai ao Tottenham por 6 milhões de euros, valor muito inferior às vendas brasileiras.

Neste domingo, o Japão estreia contra a Holanda em Dallas, cotado para disputar a liderança do Grupo F. Em 2010, os holandeses levaram a melhor. Agora, os japoneses tentam mostrar que os tempos são outros.

— Lance do Jogo

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