
Brasil menos dependente da NBA, diz Petrovic, e mira quartas
Menos dependente de jogadores da NBA e com uma nova identidade tática, a seleção brasileira masculina de basquete vive um momento de ascensão sob o comando de Aleksandar Petrovic. O treinador croata, em entrevista exclusiva, projetou a equipe para a Copa do Mundo de 2027, no Qatar, e definiu uma meta clara: chegar, no mínimo, às quartas de final.
Desde que retornou ao cargo em 2024, Petrovic implementou uma filosofia inspirada no basquete europeu, com ênfase em organização tática, defesa sólida e controle de jogo. O resultado aparece nos números: o Brasil está em nono lugar no ranking da Fiba, conquistou a AmeriCup e venceu os seis jogos das eliminatórias até agora. Para o comandante, o time evoluiu muito em relação ao ciclo anterior.
“Há muitos jovens jogadores tendo oportunidades, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Isso amplia o repertório do basquete brasileiro”, destacou Petrovic. Com Gui Santos como único representante na NBA, o Brasil conta agora com uma base mais diversificada, incluindo atletas que atuam em ligas da Espanha, Israel, Japão e México, além do campeonato nacional, que o treinador considera mais competitivo e tático.
A queda na dependência da NBA é vista como algo positivo. “A liga no Brasil está muito mais orientada defensivamente, e isso ajuda muito”, afirmou. A seleção também se beneficiou da experiência de jogadores como Raulzinho Neto e Bruno Caboclo, hoje agentes livres.
Objetivo claro no Mundial
O grande alvo é garantir uma boa campanha na Copa do Mundo de 2027, que pode facilitar a classificação para as Olimpíadas de Los Angeles-2028. Como os Estados Unidos já têm vaga garantida, as duas melhores seleções das Américas no Mundial conquistam vaga direta. Petrovic vê o Brasil entre as dez seleções capazes de brigar pelo pódio, citando Alemanha, Sérvia, França, Turquia, Austrália, Canadá e Estados Unidos como principais adversários. “Não existe mais esse grande gap”, avaliou.
Na América do Sul, a rivalidade com a Argentina também mudou de figura. Sob seu comando, o Brasil venceu os argentinos três vezes em três confrontos, e a meta é superar o país vizinho no ranking da Fiba, onde hoje os hermanos aparecem em oitavo. “Isso seria um marco para o basquete brasileiro”, disse o técnico.
A herança de Dražen
Petrovic carrega a história de sua família. O irmão mais novo, Dražen Petrović, que morreu em 1993, foi um dos maiores jogadores europeus de todos os tempos e ajudou a abrir espaço para os atletas do continente na NBA. Aleksandar, que enfrentou Oscar Schmidt na década de 1980, guarda memória de respeito pelo ídolo brasileiro. “Dražen era talento puro, mas o trabalho diário era impressionante. Sem dedicação, não se chega ao alto nível”, relembrou.
Com essa mentalidade, o técnico quer escrever um novo capítulo na história do basquete brasileiro. A preparação segue nesta quinta-feira (27), contra a República Dominicana, em Brasília, e na próxima segunda (31), diante do México, na Cidade do México.
— Lance do Jogo






