O Fluminense que quase se fundiu com o Flamengo: a curiosa proposta de 1912

O Fluminense que quase se fundiu com o Flamengo: a curiosa proposta de 1912

O Fluminense que quase se fundiu com o Flamengo: a curiosa proposta de 1912

No cenário do futebol carioca, a rivalidade entre Fluminense e Flamengo é uma das mais intensas e tradicionais do Brasil. Mas poucos torcedores sabem que, em um momento crucial do início do século XX, os dois clubes estiveram perto de se tornar um só. Uma proposta de fusão, discutida em 1912, poderia ter apagado da história as identidades separadas do Tricolor e do Rubro-Negro, criando um único gigante do Rio de Janeiro. Esta é uma das curiosidades históricas mais fascinantes e pouco divulgadas envolvendo o Fluminense Football Club.

O contexto era de transformação. O futebol, ainda amador, começava a ganhar popularidade massiva no Rio, então capital federal. Vários clubes pequenos surgiam e desapareciam. O Fluminense, fundado em 1902 por Oscar Cox, já era uma instituição consolidada e vitoriosa, tendo conquistado vários campeonatos cariocas. O Flamengo, por sua vez, originário das regatas, criou seu departamento de futebol apenas em 1912. Foi nesse ano exato que um grupo de dirigentes, visando fortalecer o esporte na cidade e criar uma potência esportiva inabalável, sugeriu a fusão entre as duas agremiações.

A proposta era séria e foi levada a discussões internas. Os argumentos a favor giravam em torno da união de forças: o Fluminense traria sua tradição, estrutura e know-how futebolístico; o Flamengo aportaria sua enorme massa de associados e seu já vigoroso poder financeiro e social. Juntos, formariam um clube com potencial para dominar não apenas o Rio, mas todo o futebol brasileiro. Analisando o jogo político da época, historiadores apontam que a fusão também era vista como uma estratégia para enfrentar o crescimento de outros clubes, como o Botafogo e o América.

No entanto, a ideia encontrou forte resistência, principalmente da diretoria e dos sócios mais antigos do Fluminense. Para eles, a identidade tricolor, forjada em uma década de glórias e com um DNA de elite e pioneirismo, era intocável. A cultura e os valores dos clubes eram percebidos como muito distintos. Enquanto o Fluminense carregava uma aura mais aristocrática em seus primórdios, o Flamengo já demonstrava um apelo mais popular. Essa diferença cultural foi um dos grandes entraves. A rejeição foi categórica. O Fluminense optou por manter sua história e sua independência, recusando a fusão.

As consequências dessa decisão ecoam até hoje. Ao rejeitar a fusão, o Fluminense garantiu a continuidade de sua trajetória singular, que incluiria a formação de ídolos como Telê Santana, a conquista de títulos nacionais e internacionais, e a consolidação de uma das torcidas mais fiéis do país. O Flamengo seguiu seu próprio caminho, tornando-se o clube com a maior torcida do Brasil. A rivalidade, longe de ser apagada, se intensificou, gerando um dos clássicos mais passionais do mundo, o Fla-Flu. Imaginar um futebol carioca sem essa dicotomia é quase impossível.

Este episódio pouco conhecido revela um momento de bifurcação na história. Ele mostra que as instituições que hoje consideramos imutáveis passaram por encruzilhadas decisivas. A escolha do Fluminense em 1912 foi pela preservação de sua essência, um movimento que definiu não apenas o futuro do clube, mas a própria geografia afetiva do futebol no Rio de Janeiro. A curiosidade fica como um testemunho do peso das decisões administrativas e do valor da identidade no esporte.

— Lance do Jogo