O drama das lesões antes da Copa: quando um sonho pode ir embora

O drama das lesões antes da Copa: quando um sonho pode ir embora

O drama das lesões antes da Copa: quando um sonho pode ir embora

Gabriel Magalhães caiu no gramado, estendeu a perna esquerda e pôs as mãos sobre o joelho. Eram 25 minutos do segundo tempo das quartas de final da Copa da Inglaterra. O Arsenal tinha acabado de empatar contra o Southampton, numa jogada que começou com um bom passe de Gabriel. A equipe médica foi acionada, e o zagueiro saiu de campo — andando, para suspiros aliviados de torcedores. O problema é que entramos numa etapa da temporada em que uma lesão custa duplamente caro: os campeonatos europeus estão na reta final e a Copa do Mundo, logo ali.

Gabriel Magalhães foi cortado da convocação de Carlo Ancelotti para os últimos amistosos da seleção brasileira, por causa de um problema no outro joelho. Não perdeu, por isso, a condição de favorito a uma vaga na lista final. Mas dá para imaginar o que passou pela cabeça do zagueiro naqueles segundos em que esteve sentado, apalpando a perna. É uma dúvida que dura uma eternidade e mais um dia, caso seja necessário esperar pelo resultado de um exame.

Atletas convivem com lesões, mas lidar com elas é algo menos natural do que o torcedor consegue imaginar. No depoimento para o livro “Nalbert, a jornada de um líder”, o craque do vôlei que se recuperou em tempo recorde para os Jogos Olímpicos de Atenas descreveu em detalhes o sofrimento de suas sessões diárias de fisioterapia. Eram horas de trabalho para tentar ganhar um grau de angulação no braço, que tinha perdido o movimento de giro por causa de uma ruptura no manguito rotador.

Em entrevista recente, Carol Gattaz, que encerrou a carreira por não suportar mais esse sofrimento, descreveu sua segunda ruptura de ligamento cruzado anterior: “Ouvi um barulho, achei que era uma companheira de equipe que tinha caído de mau jeito e só quando tentei dar um passo percebi que tinha sido comigo.” Ela já sabia que teria de conviver com a dor mesmo depois de parar de jogar, mas queria continuar, nem que fosse para ter o direito de decidir por conta própria o momento de deixar de ser atleta.

Fico mais sensível nas vésperas das grandes competições. Quem se machucar agora vai ver um sonho ir embora, levado pela dor. Mas toda hora é hora de se solidarizar com quem sacrifica o corpo para a gente viver a emoção do esporte.

— Lance do Jogo

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