
O Botafogo que quase se tornou um clube de remo: a curiosa história da fusão com o Club de Regatas Guanabara
O Botafogo que quase se tornou um clube de remo: a curiosa história da fusão com o Club de Regatas Guanabara
Na rica trajetória do Botafogo de Futebol e Regatas, um dos clubes mais tradicionais do Brasil, há um capítulo pouco conhecido que poderia ter alterado profundamente sua identidade esportiva. Enquanto a maioria dos torcedores associa o Glorioso ao futebol de elite e às estrelas negras de seu uniforme, poucos sabem que, em 1942, o clube esteve perigosamente próximo de se tornar, predominantemente, uma agremiação de remo. Esta curiosidade histórica revela um momento decisivo onde o destino do Botafogo pendulou entre duas paixões esportivas.
A história remonta ao início do século XX, quando o esporte no Rio de Janeiro era dominado pelas agremiações de regatas. O Botafogo Football Club, fundado em 1904, já era uma potência no futebol, enquanto o Club de Regatas Botafogo, criado em 1894, brilhava nas águas da Baía de Guanabara. A fusão entre esses dois clubes em 1942 deu origem ao Botafogo de Futebol e Regatas, unindo as duas modalidades sob o mesmo pavilhão. No entanto, o que poucos recordam é que, durante as negociações para essa fusão, surgiu uma proposta alternativa que ameaçava o futuro do futebol no clube.
Em meio às discussões, representantes do Club de Regatas Guanabara, uma tradicional agremiação náutica da época, apresentaram uma proposta de fusão ao Club de Regatas Botafogo. A ideia era criar um superclube de remo, que dominaria as competições aquáticas cariocas. Se aceita, essa fusão teria deixado o Botafogo Football Club isolado, possivelmente enfraquecendo sua estrutura e futuro. A pressão era grande, pois o remo era um esporte de enorme prestígio e visibilidade social naquele período, enquanto o futebol, embora popular, ainda não atingira o status de esporte nacional.
Analisando comentários da época e registros históricos, percebe-se que a decisão foi tomada em um ambiente de intenso debate interno. Muitos associados do Club de Regatas Botafogo viam com bons olhos a união com o Guanabara, que prometia hegemonia imediata no remo. Entretanto, uma visão mais ampla e estratégica prevaleceu. Lideranças como Augusto Frederico Schmidt e outros dirigentes entenderam que o futuro do esporte estava no futebol, modalidade em franca expansão e com grande apelo popular. A fusão com o Botafogo Football Club, portanto, não era apenas uma questão de tradição, mas uma aposta no crescimento esportivo e social do clube.
A recusa da proposta do Guanabara e a consequente fusão com o Botafogo Football Club em 8 de dezembro de 1942 foi um marco. O novo Botafogo de Futebol e Regatas manteve o remo como uma de suas modalidades, mas priorizou o futebol como carro-chefe. Essa decisão estratégica permitiu que o clube se tornasse uma das potências do futebol brasileiro, conquistando títulos nacionais e formando grandes ídolos como Garrincha, Nílton Santos e Jairzinho. O Club de Regatas Guanabara, por sua vez, seguiu seu caminho no remo, mas sem o mesmo impacto que teria tido unido ao Botafogo.
Esta curiosidade histórica serve como um lembrete de como as decisões em momentos cruciais podem definir o destino de uma instituição centenária. Se a balança tivesse pendido para o lado do remo, o Botafogo talvez fosse hoje lembrado principalmente por suas conquistas aquáticas, e o futebol brasileiro teria perdido uma de suas mais gloriosas tradições. A sabedoria de enxergar o potencial do futebol garantiu que o Glorioso continuasse a brilhar no esporte mais popular do planeta, mantendo viva a chama que acende a paixão de milhões de torcedores.
— Lance do Jogo







