
Nova Caledônia sonha com vaga inédita na Copa após chance histórica
Nova Caledônia sonha com vaga inédita na Copa após chance histórica
Um território ligado à França no Oceano Pacífico vive um momento histórico: a Nova Caledônia disputa pela primeira vez a repescagem da Copa do Mundo e encara a Jamaica nesta sexta-feira, às 0h (horário de Brasília), no México. Com apenas 300 mil habitantes, a nação oceânica nunca esteve tão perto de realizar o sonho mundialista.
Desde sua filiação à Fifa em 2004, a seleção participou de eliminatórias, mas nunca alcançara esta fase decisiva. O aumento para 48 participantes na Copa criou uma vaga direta para a Oceania, conquistada pela Nova Zelândia, abrindo espaço na repescagem para os neocaledônios. No formato anterior com 32 países, essa oportunidade quase sempre ficava com os neozelandeses.
“O novo formato da Fifa nos oferece uma grande oportunidade de chegar à Copa do Mundo”, afirmou César Zeoula, capitão da seleção. A equipe quase garantiu vaga direta em março de 2025, quando chegou à final das Eliminatórias da Oceania e segurou 0 a 0 no primeiro tempo contra a Nova Zelândia, mas acabou derrotada por 3 a 0.
A perda não desanimou jogadores e torcedores. “O desempenho da seleção fortalece o vínculo entre os neocaledônios e o futebol”, destacou Zeoula, lembrando que o esporte continua sendo o número um no arquipélago.
Este momento coincide com a evolução do futebol local. Antes composta por jogadores semi-amadores, a federação trabalha para profissionalizar o esporte e recruta atletas com ascendência neocaledônia nascidos em outros países. A maior estrela atual é Angelo Fulgini, 29 anos, nascido na Costa do Marfim mas filho de franceses, convocado pela primeira vez após aceitar o chamado por suas raízes.
Como Estado francês com autonomia limitada — judiciário, defesa e moeda seguem ligados à França —, quem nasce na Nova Caledônia tem dupla nacionalidade. Isso se reflete no futebol, com muitos atletas atuando em divisões inferiores francesas.
No cenário de clubes, o ponto alto continental foi em 2019, quando Hienghène venceu a Champions da Oceania e disputou o Mundial de Clubes. Porém, nenhum time neocaledônio participa da primeira liga profissional da Oceania, criada recentemente.
Dois jogos separam a Nova Caledônia da Copa. Se vencer a Jamaica, enfrentará a RD Congo na terça-feira pela vaga inédita. A classificação colocaria a seleção no Grupo K ao lado de Portugal, Uzbequistão e Colômbia.
Com a 150ª posição no ranking da Fifa, a Nova Caledônia seria a “pior” classificada para esta Copa, superando a Nova Zelândia (85ª) nesse aspecto. Mas para os quase 300 mil habitantes do arquipélago, essa seria uma conquista histórica que colocaria seu pequeno território no mapa do futebol mundial.
— Lance do Jogo





