
O Fortaleza que quase se chamou 'Alencarino': a curiosa história por trás do nome do clube
O Fortaleza que quase se chamou ‘Alencarino’: a curiosa história por trás do nome do clube
No universo do futebol brasileiro, repleto de tradições e rivalidades centenárias, algumas histórias permanecem nas sombras do tempo, guardadas em atas de fundação e memórias de pioneiros. Uma dessas narrativas pouco conhecidas envolve o Fortaleza Esporte Clube, um dos gigantes do Nordeste, e revela que o Leão do Pici poderia ter rugido com um nome completamente diferente em seus primórdios. A jornada desde a ideia inicial até a consagração do nome atual é um capítulo fascinante da identidade tricolor.
A fundação oficial do clube ocorreu em 18 de outubro de 1918, um marco celebrado anualmente pela torcida. No entanto, os debates que antecederam essa data foram intensos e definidores. O grupo de jovens entusiastas, liderados por figuras como Alcides Santos e João Barbosa, não concordava facilmente sobre como batizar a nova agremiação que nascia no bairro do Pici, em Fortaleza. Entre as propostas que circularam nas reuniões preparatórias, uma ganhou força considerável: Alencarino Foot-Ball Club.
A inspiração para o nome Alencarino era um tributo direto a José de Alencar, um dos mais importantes escritores brasileiros do século XIX e filho ilustre do Ceará. Nascido em Messejana, que hoje é um distrito de Fortaleza, Alencar era um símbolo de orgulho regional, e seus romances, como “O Guarani” e “Iracema”, já eram considerados clássicos da literatura nacional. Havia um desejo entre alguns fundadores de vincular o clube a essa figura de prestígio, conferindo-lhe desde o início uma aura de tradição e relevância cultural.
Contudo, outra corrente de pensamento prevaleceu. Argumentava-se que o clube deveria carregar um nome que representasse não apenas um indivíduo, por mais glorioso que fosse, mas toda a cidade e seu povo. A palavra Fortaleza era abrangente, imponente e evocava a força e a resiliência da capital cearense. Após discussões, a escolha recaiu sobre Fortaleza Foot Ball Club, que mais tarde, em 1946, se tornaria Fortaleza Esporte Clube. O detalhe é que, mesmo com a decisão tomada, o vínculo com José de Alencar não se perdeu completamente: as cores iniciais do uniforme, o verde e o branco, são frequentemente associadas a homenagens ao escritor, embora essa seja uma interpretação histórica que divide especialistas.
Esta curiosidade resgata um momento decisivo na formação da identidade do clube. Imaginar o Fortaleza como Alencarino parece estranho aos ouvidos acostumados aos gritos de “Leão!” nas arquibancadas da Arena Castelão. O nome final não apenas definiu a marca, mas também sintetizou uma ambição de representatividade regional que se concretizaria ao longo das décadas. O Fortaleza Esporte Clube cresceu, conquistou títulos estaduais, nacionais e forjou uma das torcidas mais passionais do Brasil, sempre ligado à sua terra. A história do “nome que quase foi” serve como um lembrete de como detalhes aparentemente pequenos nos processos fundacionais podem carregar significados profundos sobre a essência de uma instituição centenária.
— Lance do Jogo







