
O Atletico Paranaense e a Invasão de Torcedores que Mudou a História do Clube
O Atletico Paranaense e a Invasão de Torcedores que Mudou a História do Clube
No universo do futebol brasileiro, poucos episódios são tão simbólicos e decisivos quanto a invasão de torcedores que ocorreu no Estádio Joaquim Américo, a Baixada, em 1995. Este evento, mais do que um simples protesto, foi um divisor de águas na trajetória do Atletico Paranaense, catalisando uma transformação estrutural e identitária que levaria o clube de Curitiba a conquistar títulos nacionais e internacionais. A história, pouco difundida fora do Paraná, revela como a paixão da torcida pode ser o motor mais poderoso para a reviravolta de uma instituição esportiva.
O contexto era de profunda crise. O Atletico Paranaense, fundado em 1924, enfrentava uma das piores fases de sua história no início dos anos 1990. O time vivia um jejum de títulos expressivos, a situação financeira era precária e o desempenho em campo, medíocre. A gota d’água veio em 1995, durante um jogo válido pelo Campeonato Paranaense contra o rival Coritiba. Insatisfeitos com a atuação da equipe e com a direção do clube, um grupo de torcedores invadiu o campo no intervalo da partida, em um protesto pacífico, porém carregado de emoção. Eles não quebraram patrimônio ou agrediram jogadores; seu alvo era a diretoria, a quem cobravam mudanças radicais.
Esse ato de rebeldia organizada ecoou como um alerta máximo. A diretoria da época, liderada por Mário Celso Petraglia, percebeu que não poderia ignorar o clamor popular. A invasão foi o estopim para uma série de reformas profundas. Petraglia, que já havia iniciado um processo de modernização, acelerou as mudanças com um foco claro na gestão profissional e no envolvimento da torcida. O clube, que até então tinha uma estrutura amadora, começou a adotar práticas de mercado, melhorando sua administração financeira e investindo na base e no elenco.
Os resultados não tardaram a aparecer. Em 1995, ainda sob o impacto do episódio, o Atletico conquistou o Campeonato Paranaense, quebrando um jejum estadual. Mas a verdadeira revolução viria nos anos seguintes. A nova filosofia de gestão, impulsionada pela pressão torcedora, pavimentou o caminho para as grandes conquistas nacionais: a Copa do Brasil de 2001 e o Campeonato Brasileiro de 2001, feitos históricos que colocaram o clube no mapa do futebol nacional. Posteriormente, em 2018 e 2019, o Atletico se tornaria bi-campeão da Copa Sul-Americana, consolidando-se como uma potência continental.
O legado da invasão de 1995 é visível até hoje. O Atletico Paranaense se transformou em um dos clubes mais bem administrados do Brasil, com um estádio moderno (a Arena da Baixada, reformada) e uma torcida apaixonada e engajada. Aquele protesto, longe de ser um ato de vandalismo, foi um manifesto por um futebol mais competitivo e profissional. Ele demonstrou que, em Curitiba, a voz da torcida não só é ouvida, mas pode reescrever o destino de um clube. A história do Furacão é, em grande parte, a história de como sua própria torcida o empurrou para a grandeza.
— Lance do Jogo







