
Neymar Pode Igualar Pelé em Número de Copas como Camisa 10
Se for convocado e entrar em campo na próxima Copa do Mundo, Neymar alcançará uma marca reservada a pouquíssimos jogadores da história do futebol brasileiro: será, ao lado de Pelé, um dos únicos atletas a vestir a camisa 10 da Seleção Brasileira em quatro Mundiais. O Rei utilizou o número mais emblemático do futebol entre 1958 e 1970, enquanto Neymar já carregou a responsabilidade nas edições de 2014, 2018 e 2022.
Nilton Santos, Djalma Santos e Castilho também estiveram em quatro Copas, mas com outros números. A coincidência, porém, para por aí. As trajetórias de Neymar e Pelé em Copas do Mundo são radicalmente diferentes. Pelé estreou no Mundial de 1958 aos 17 anos, sagrando-se campeão e protagonista de uma seleção histórica. Aos 17 anos e 239 dias, marcou o gol da vitória contra o País de Gales nas quartas, três gols na semifinal contra a França e dois na final contra a Suécia. Ao longo de quatro Copas, conquistou três títulos (1958, 1962 e 1970), feito jamais repetido.
Neymar, por outro lado, chega à possível quarta participação sem ter levantado a taça. Enfrentou campanhas marcadas por eliminações traumáticas para a torcida brasileira e dificuldades físicas. Enquanto Pelé disputou a quarta Copa aos 29 anos, ainda em alto rendimento, Neymar pode chegar ao quarto Mundial aos 34, após uma sequência de lesões graves e dúvidas sobre sua condição física. A diferença de idades talvez não pese tanto, já que o futebol atual é mais técnico, mas o que difere é a trajetória: Pelé teve ascensão contínua; Neymar, interrupções frequentes.
Contextos Históricos Distintos
Pelé brilhou ao lado de Garrincha, Jairzinho, Tostão e Rivelino, em um time que deixou saudade. Neymar, em diferentes ciclos, assumiu o papel de principal referência técnica e simbólica de um Brasil em busca de reconstrução e identidade competitiva. A sorte também pesa: Pelé fez parte de um contexto histórico peculiar, enquanto Neymar viveu momentos de instabilidade na seleção.
Mesmo assim, só o fato de permanecer relevante para disputar quatro Copas como camisa 10 exige talento excepcional, capacidade de adaptação e influência no futebol brasileiro. Independentemente dos debates sobre convocação, Neymar estar próximo de dividir essa marca com Pelé prova o tamanho do espaço que ainda ocupa — apesar das brigas de bastidores, problemas físicos e escândalos pessoais.
O feito de igualar o Rei em número de Copas como camisa 10 é mais um capítulo na história de um jogador que, mesmo controverso, segue sendo um dos maiores nomes do futebol mundial. A marca reforça seu legado e coloca Neymar em um seleto grupo de atletas que carregaram o número mais pesado do futebol brasileiro por tanto tempo.
— Lance do Jogo





